UMA FAMÍLIA ESPECIAL, FAMÍLIA RAMOS!
A Família do Sr.Vicente Ramos e D.Belica...
HÁ TEMPOS queria mostrar essa turma boa, juntei fotos, perdi, agora juntei de novo, agora vai. É uma alegria registrar essa família aqui no ''Bão De Prosa'', primeiro porque gosto de todos e segundo pelo papel que possuem desde a cidade antiga, eu estou fazendo um registro, não como merecem, mas como me é possível e sempre que consigo é de um jeito simples.
QUEM FOI VICENTE RAMOS?
ERA COLETOR , irmão de Zezé,Paulo,Luzia, Ernestino e Rafael Ramos, filho de Titino Ramos que era um homem de grande influência, pelo que sei, muito humano, capaz, era da turma do Dr.Passos Maia, começaram tudo por aqui, foi uma das cabeças pensantes de antigamente e o primeiro dono do Cartório do Wanderley. O filho Vicente Ramos, estudou em Varginha e fez cursos em BH para ser coletor. Sempre de bem com a vida, um homem correto, educado, culto, elegante e de uma simpatia gigante. Trajava-se nos trinques, calça, camisa, sapato social, sempre.
ERA assim, na maior pomada que ele saía em Guapé quando vinha passear e com meu pai e outros, ficava horas proseando na esquina do Ari, era encontro de risadas,piadinhas, momentos felizes quando saía prosa antiga e causos engraçados.Hoje todos bateram asas, a esquina ficou vazia.Uma pena!
QUEM FOI D. BELICA RAMOS?
ESTUDOU no Colégio Monfort em Carmo do Rio Claro, formou-se professora, era de Conceição Aparecida, por uns tempos foi secretária do colégio, em seguida, veio em Guapé com sua mãe viúva, D.Paulina, atrás de uma vaga na escola, daí foi acolhida por Titino Ramos e vieram de morada, lá de Conceição Aparecida.
E O AMOR?
ENTÃO, bateu o olho no jovem Vicente e ele bateu o olho nela e bateu o amor, namoro, casamento, e mais uma penca de filhos. O nome dela, Umbelina Bragança Ramos, chamada pelo apelido de Belica. Moravam na antiga Av. D. Agostinha em um predinho de dois andares.Lembro-me de um comentário de papai, ''Vi o Vicente e a Belica uma vez dançando,não esqueço,o casal tava muito alinhado,rodando, e ela bonita demais.
SÁ DIONÍSIA FAZ PARTE DA HISTÓRIA...
PORQUE foi ela, a parteira mais famosa de Guapé, a que puxou pelos pés seis dos babys do casal e cada um ganhou dela a primeira palmada na bunda. Nasceram pelas mãos da Sá Dionísia, Ernestino, Mírian Magdala, Ana Maria, Juscelino, Graça, Vinícios. Já o caçula Gladstone nasceu no hospital de Formiga, não sei o motivo e não sei se pela estrada comprida da viagem, nasceu compridinho, cresceu mais, é o grandão dos irmãos.
MAS O PARTO DA ANA MARIA FOI...
Nervoso. A bolsa arrebentou, ela resolveu fazer sua estréia no mundo na hora de um toró, o pai saiu correndo no escuro e na tribuzana, escorregando, levantando, molhando na chuva grossa atrás da parteira Sá Dionísia, passou aperto, desceu, atravessou a praça antiga, subiu a 3 de fevereiro inteira e bateu na porta da casa que até hoje tá lá fazendo esquina com a Pracinha Monsenhor.
_Tó tó tó...Ô, de casa! _Ô, de fora! Boa noite! Entra, o senhor tá molhado. _Nãão! A Belica tá em trabalho de paaaaarto, quero a Sá Dionísiaaaaa. Cadê a Sá Dionísiaaaaa? _Ela saiu. _Padonde? _ Numa roça, saiu inhantes da chuva, foi fazer um parto, deve de tá puxando já uma criança. _Nooossa Senhora do Parto! Que cô faço? Preciso de uma parteira. Tô frito. _Vai atrás da Donana, ainda puxa umas crianças de vez em quando. _Pavorei agora, dexêu corrê.Donana!Isso mesmo.Fui!
BATEU ATRÁS DA PARTEIRA
ELE FOI atrás de uma outra parteira já idosa, Donana, já meio aposentada, só que já enxergava meio mal, assim ela dizia, só atendia quando não tinha outro jeito, mas foi a salvação, só que fez tudo certinho, puxou a menina pelo pezinho, foi um berro quando bateu a mão na bundinha da Ana e a D.Belica zonza com a cria, escutou Donana falando que estava ruim demais da vista, quando ela pegou a tesoura pra cortada do umbigo, a mãe deu um grito: _Donana, nãããão! Isso aí é a perninha, corta o pezinho dela, nããããão! _Aqui o cordão do umbigo, Belica.Tá cortado já. _Ah! Fiquei cismada.
CASA ENFEITADA DE RAMOS
BEM FELIZES cresceram todos os Ramitos no Guapezito e muito bonititos. Foram batizados na matriz, brincavam pelas ruas calmas da cidade, conviviam bem com os vizinhos, D.Olga, D.Ari, João Cavalhada, iam na igreja com roupinhas de missa, iam pra escola, ouviam muito assunto de política, foi sempre um assunto que lá rendeu muito e pelo que sei, na Cidade Antiga o trem pegava fogo.
CRISMA DO MENINO NO PALÁCIO
ESSA FOI chique, Vicente e Belica gostavam demaaaais do Juscelino Kubitschek, mas muuuuito mesmo, assim, quando nasceu o segundo filho homem, foi registrado e batizado com o nome de Juscelino Ramos e não para por aí, foi crismado no Palácio da Liberdade quando Kubitschek era governador de Minas. A crisma do menino foi aos quatro anos de idade, viraram compadres, menino cresceu falando Padrinho Ju, essa crisma foi chique no úRtimo.
AH! RECORDO que no dia das professoras,declamei uma trovinha na classe para D.Belica, depois atravessando a praça o filho do Pedico passou por mim e disse,''Essa declamou mais bonito'' daí fiquei muito metida,tinha chegado recente do Araúna, da banda de lá do Rio Grande e a tarde fui no predinho levar meu presentinho para D.Belica,eu era bem amorosa,tenho a lembrança de estar assentada na sala e ouvi ela dizendo,''Kubitschek'',abre aquela gaveta e coloca lá.''Acho que guardei pq achei diferente o nome,mas a imagem do Kubitschek atravessando a sala ficou.
NO ÚLTIMO dia de aula, mais uma lembrança que ficou da despedida, abraçando D.Belica, chorei rios, sendo consolada,demorei, mamãe foi atrás e me encontrou descendo chorando. RUA D. BELICA RAMOS
COMO professora foi homenageada, tem seu nome escrito na placa e na História da Educação em Guapé, reconhecida como excelente profissional e por todos respeitada. Comenta-se até hoje sua capacidade, talento e como fui sua aluna no segundo ano primário, tenho na lembrança um rosto bonito e simpático, gestos e palavras carinhosas e um belo sorriso.
ELA que também ficou de suplente como vereadora depois da inundação, o cargo vagou, chegou sua vez de tomar posse, mas daí já estavam de mudança para Boa Esperança onde moraram alguns anos, até que foram de vez para Belo Horizonte.
DUAS de suas filhas, Mírian e Ana Maria chegaram a lecionar um ano em Guapé e deixaram saudade.
QUANDO CHEGARAM AS ÁGUAS...
NÃO foi diferente para a família de Vicente Ramos, também sofreram vendo a destruição, deixando a rua, o quintal, os vizinhos, despedindo dos que pegavam estrada, até que um dia, um caminhão também pegou a estrada e levou a mudança da família.
NO CAMINHO DA SAUDADE...
SEMPRE voltou o casal, no caminho de Guapé e hospedavam com os parentes, a família do Sô Gastão e foi lá na cozinha do Hotel Barros que conversamos muitas vezes. São os primos Júnior, Flávia e Ângela que recebem com carinho os Ramos. O Sô Vicente me dizia da preocupação de ter alguém filmando os mais velhos e tirando deles lembranças a serem registradas para não se perderem no tempo, sei que ficaria feliz lendo o ‘’Bão de Prosa’’ e sabendo que tento de todas as formas fazer isso.
A FAMÍLIA FESTIVA
VIVE muito bem, apesar da ausência dos pais, reúnem-se em festas, preservam o natal que os pais adoravam, enfim, uma família guapeense, incrível, alegre, de violões e cantoria. Os filhos visitam a cidade, Graça sempre vem, Ana Maria e Mércio tem no ano sempre duas viagens para a terrinha e ela ama andar pelas ruas, olhar o que sobrou da Cidade Velha e encanta-se com a nova.
UMA FIGURA LEMBRADA
ANA MARIA há uns cinco anos viu uma figura da Cidade Velha...
Palavras de Ana Maria...
‘’Emocionada fiquei quando vi o Domingo Vassoureiro, eu me lembro muito dele quando fazia a capina em frente nossa casa na Av. D.Agostinha, minha mãe lhe servia água, café e quitandas. A disputa entre nós irmãos, para fazer a entrega era grande. A gente se encantava quando ele vermelhinho, suando em bicas tirava seu chapéu e, ao seu modo "falava" e apontava as mãos para os céus. A gente entendia o seu agradecimento.’’
AH! MAIS UMA DA ANA MARIA
O vô foi quem escolheu o nome dela,certa vez nasceu uma branquinha lá no Doza,a Naná,botaram nome de Ana Maria,foi a gota, Ana chorou muito, não entendia,achava que só existia uma Ana Maria e até rolava no chão dando birra,dizendo que Ana Maria era ela.Tem base?
AGORA... Meu abraço a cada um da família, Titino, Mírian, Graça, Ana Maria, Juscelino, Vinícios, Gladstone, genros, noras, netos, bisnetos. Fiu, fiu...0









