UMA VIAGEM AO PASSADO…
Passageiros Com Destino A Felicidade
E ERA ASSIM na década de 70. E a jardineira vinha… E a jardineira ia… E sempre muito especial nos sábados e maaaais ainda, nas vésperas dos feriados e férias. E a jardineira chegava alegre... E a jardineira saía triste.
É QUE ELA trazia jovens estudantes encantados. Com tudo. E jovens enamorados. Sempre esperados. Por um donzelo ou donzela apaixonada, na cidadezinha que foi deixada.
POSSO ATÉ dizer que era uma jardineira lotada de esperança.Três jardineiras, três destinos.Passos, Boa Esperança e Formiga.Esse destino do retrato, trazia passageiros vindos da capital, eram esperados em Formiga.Era trajeto daqui pra lá e de lá pra cá.Sobrava poeira e bacada.
ERA tamanha ilusão Ninguém ligava com o poeirão Contava mesmo era o coração Era uma jardineira de emoção Rodando na estrada de chão.
A PARADA aí do retrato era Santo Hilário,era aí o mictório. Até contam uma prosa de um senhor passageiro... _Motorista,onde é o mictório? _Mi-qui-tó-riooo?O senhor quer o que memo? _Quero esvaziar a bexiga. _Ah! Bão! Aqui pra nóis é mijatório.
NOSSA! Há quantos anos essa cena! Quanta poeira já levantou os caminhos! Quanta bacada já deu essa vida!
O Moço alto, magro e cheio das poses, com uma calça psicodélica, é o Xuxú da Mariquita, o Sílvio Ferreira, muito boy demais da conta e uma figura carimbada nos bailes do Clube dos 70. Mais um como os cabeludos de Liverpool.Grande figura.
ESSE meio sentado, focado na lente,meio “Garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones”, óculos escuros redondos,é o Jayro da Iolanda,num traje até interessante, era o dono da kodak, registrava momentos para a posteridade.É o dono desse retrato.
AÍ depois vem o Cutia,o Vicente da Ninfa Costa, descia no meio do caminho,é que nas terras do avô passava a estrada e o ônibus parava pra ele onde era falado,lá no Alto Do Zé Costa,e só depois ele chegava na cidade.
ALTO DO ZÉ COSTA era um ponto excelente da estrada porque de lá se avistava Guapé, tanto de dia como de noite,em qualquer condução,em qualquer condição, dava já alegria da chegada.
A MOCINHA de branco,era uma linda garota, era chamada Amaral,era de Formiga, sempre presente, tinha muitas amizades e tinha diversão garantida com a turma.Tem uns que não reconheço no retrato.
E ESSA mocinha de blusa branca? A Cleusinha do Roberto do Taíde, muito linda e era como dizia a música, ”Sou a garota papo firme que o Roberto falou, sou a garota que pensam que vão conquistar,mas já pensei e nem bola vou dar'',era um sucesso com seus olhos verdes.
Ráá! E esse aí atrás, muito boy e sem camisa é Sebastião, o Tião do Juca Procópio que nessa época já namorava a Emilce do Toin Mané e há muitos anos.
O PAULINHO Damas,bem jovenzinho, esse que está com a mão na porta, já era motorista dos bão, a jardineira que tinha de tudo, juventude bonita, idosos, gente das roças, galinha, compras e muito mais.Em dias festivos vinha lotada,os do retrato, de certo estavam esperando quem ia esvaziar a bexiga no mictório.
TODOS na moda dos Anos 70, de Calça Boca de Sino! Meio metro de boca.Daí a jardineira chegava, saía cada um com sua malinha,como chegava já bem de tardezinha,+ ou - 17:30, era a conta de dar uma proseada com a família,tomar um banho,vestir uma roupinha mió, jantar e picar a mula,porque a espera estava a Praça Passos Maia, o Bar do Bolão e o Clube dos 70.
TAÍ um retrato importante para nossa história Isso é um pouquinho de Guapé, viva nóis!
(Desses passageiros,viajou já para o céu o Xuxú e o Cutia.)




