O HOMEM DO CHAPÉU GRANDE Na década de 1950 a jardineira da empresa São Cristóvão fazia a linha Formiga-Passos. Seu chofer chamava-se Jair. Ela deixava Formiga nas primeiras horas do dia, passava pela Capetinga, chegava até Guapé, cruzando o Rio Grande pela Ponte Mello Viana e depois seguia até Passos, passando pela balsa com cabo de aço da Barra Velha. No início da tarde, no volante da jardineira o incansável Jair fazia o caminho inverso, repetindo as mesmas paradas. Capetinga, que depois virou Santo Hilário, às margens do Rio Grande e próximo a uma de suas mais imponentes cachoeiras, era um desses vilarejos, tão charmosos que poderia lembrar lugares, ainda existentes no coração da França de hoje. A jardineira parava na frente do Bar do Sr. Alfredo Gambogi, que, logo após a sua partida, começava a entrega dos pães de sal, fresquinhos, recém-chegados de Formiga. É que o Sr. Alfredo teve a ideia de ir até Formiga e combinar uma entrega de pães toda manhã para o Jair da jardineira, que os levava até a Capetinga. Terminado o primeiro mês de fornecimento dos pães, o Sr. Alfredo foi até a Formiga e se dirigiu até a padaria do Dedeu para pagar a sua conta do mês. Início da tarde, o Dedeu estava tirando um cochilo e no balcão somente a sua mulher. -Eu sou o Alfredo Gambogi da Capetinga, eu vim acertar a conta. O senhor Dedeu está? -Ele está dormindo mas eu posso ver para o senhor. Ela procura na caderneta, passa e repassa várias vezes: procura por Alfredo Gambogi, por Alfredo, por Alfredo da Capetinga e não consegue achar nada nas contas da caderneta. Meio sem jeito ela fala: -Sr Alfredo o senhor comprou pão foi aqui mesmo? Tem mais uma padaria aqui em Formiga. O Alfredo confirma que foi bem ali que ele esteve e, mais ainda, que ele recebia, há mais de um mês os pães, conforme combinado com o Sr. Dedeu. O Sr. Dedeu, homem sistemático e que levantava às 3 horas da manhã pra colocar lenha no forno, não gostava de ser incomodado no seu cochilo da tarde e mesmo assim a Sra. Dedeu foi até o quarto e, como muito cuidado, disse: -Tem um homem aí que quer pagar uma conta de pão e não acho. Ele é da Capetinga. Já falei pra ele que não deve nada e ele insiste que recebe o pão todo dia pelo ônibus do Jair. O Dedeu pensa um pouco e pergunta: ele tem um chapéu grande? Ela responde: ele tem um chapeuzão! -Então procura “O homem do Chapéu Grande” Dito e feito: na lista do Sr. Dedeu estavam muito bem anotadas todas as remessas de pães para o Home de Chapéu Grande da Capetinga, todos os dias do mês que tinha acabado. Este “causo”, tão revelador do caráter de nossa gente, me foi trazido pelo “Constellation”, capetinguense de nascimento e formiguense de adoção, uma vez que Furnas –as águas- não lhe deu outra opção. De Wenceslau Ávila
3 de janeiro de 2014
O HOMEM DO CHAPÉU GRANDE
Na década de 1950 a jardineira da empresa São Cristóvão fazia a linha Formiga-Passos. Seu chofer chamava-se Jair. Ela deixava Formiga nas primeiras horas do dia, passava pela Capetinga, chegava até Gu

— Soninha



