25 de junho de 2017

A PIOR CARONA DA VIDA A GENTE NUNCA ESQUECE

Foi na fulôr da idade, 16, 17, 19, três anos longe de Guapé, em Passos,essa lonjuuuuura,mas na época era como se fosse, ficar longe de casa tão jovem, mesmo sendo em Passos, de lááááá da represa, era

A PIOR CARONA DA VIDA A GENTE NUNCA ESQUECE

Foi na fulôr da idade, 16, 17, 19, três anos longe de Guapé, em Passos,essa lonjuuuuura,mas na época era como se fosse, ficar longe de casa tão jovem, mesmo sendo em Passos, de lááááá da represa, era como se fosse de lá do Atlântico, embora vindo em todos os feriados.

Eu e minha amiguinha Cleleni do Zé Lau sempre juntas, inventamos uma viagem para Belo Horizonte, um vestibular, e tivemos a INFELIZ idéia de aceitar a pior carona do mundo numa desgreta de um karmanguia de boy, e com um agravante,''atrás''.Só podia,né? Ou em riba do teto, mas minha amiga achava o máximo andar no carro de boy...

O dono da condução era seu irmão Wenceslau, um encantado com o carro vermelho e que tinha como motorista um amigo,um tal de Zé Maria. Jesuis! O Lau todo todo bem acomodado na frente, sentindo-se o rei da cocada, e nóis, atrás, eu e Nini, o bagaço da cocada num banco apertado, com duas malas, sem poder levantar a cabeça, nem esticar as pernas de Passos a BH.

Depois da pior viagem da nossa vida, descemos no centro da capital, meio tontas, morgueadas,como duas encomendas sem valor nenhum.Ah! Não! Neeem! Ô, viagem compriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiida! Reparem atrás no tamanho da janelinha tombada. FIZEMOS TODO O TRAJETO EM POSIÇÃO FETAL.

O BOY DONO DO KARMANGUIA: _Foi um prazer a viagem, não vou cobrar nada de vocês. _Nóis tá querendo é receber. _Receber? _Sim, danos ao patrimônio corporal. _Não entendi. _Nem nóis.Se não for pedir muito, leva nóis num pronto socorro. _Algum problema? _Nãããão!!! Só uma dormência de leve nas pernas, torcicolo de leve, dor nos quartos de leve, nos quintos.

.......... .......... .......... .......... .......... .......... .......... .......... .......... O PRIMEIRO CARRO A GENTE NUNCA ESQUECE!

Wenceslau

O primeiro emprego, o primeiro salário, até que chega o primeiro carro! Não, a gente nunca vai esquecer. Nunca tive um Fusca – contrariamente à maioria, como meu colega Prof. Carlos, de Matemática do Polivalente de Passos, que me dava carona com frequência até Formiga para ir passar o final de semana com minha namorada. Isto, até o dia que o fusquinha pifou exatamente na ultima curva antes do posto de Córrego Fundo! Felizmente os motoristas ainda são generosos, o “auto stop” ou “hitchhiking” *ainda funcionava naquela época. Então, meu primeiro carro foi um Karman ghia. Sempre gostei do Karma ghia, tanto que depois do primeiro comprei o segundo. Karman ghia lembra Porche e Porche lembra as 24 horas de “Le Mans” na França – nos anos 1960 Ford e Porche ganhavam todas por lá O Karman Ghia tinha um inconveniente – no banco de trás não cabe sogra! Quando muito poderia caber a irmã da namorada que na maioria das vezes costuma ser menor que a própria. Então tudo se ajeita! Um Karman Ghia, quase sensual com suas curvas arredondadas, super amigável, reluzente, brilhante. Um show de carro – comprado em 12 vezes, além do seguro (não previsto no orçamento) que a financiadora exigiu! Naqueles tempos, carros não tinham som ou pelo menos não tocava fita cassete, só tinha radio, o famoso Motoradio que depois virou Bosch. Marca boa. Alguns, mais aficionados, usavam até colocar o gravador de fita cassete no carro – um trambolho que sempre dava problema (vibração, etc.). Eu me contentei com o auto rádio. Não tinha carteira de motorista e por quatro longos meses fugia das barreiras policiais, principalmente na cancela da entrada de Furnas (na época não existia a ponte, então todos passavam sobre a barragem). Ali costumavam se postar guardas rodoviários – uma bela sombra, agua fresquinha e sobretudo um lugar agradável. Os danados ficavam ali e quando você parava esperando a cancela se levantar os “frangos”(os franceses os denominam assim “poulets”!) se aproximavam e: “a carteira de motorista por favor! Calma, isto nunca me aconteceu. Até que em meados de 1972 consegui tirar a minha habilitação – hoje já perdi, pra dizer a verdade. Todo este sufoco era compensado pelos 140km/h que “fazia dar” naquela “retona” de quase 10kms perto do trevo de Pimenta! Então! Comprei meu primeiro carro – um Karman Ghia rutilante e queria mostrá-lo pra minha namorada – fiz talvez a mais agradável e charmosa viagem da minha vida: de Passos até Formiga. Era um dia quente, muito quente. Subi a ladeira do bairro do Polivalente, onde ela morava,lá em Formiga. Ao invés de, no final virar à esquerda e parar no 220 na frente da casa dela, preferi voltar e parar na mesma rua que subi. Não queria que ela saísse à rua e desse de cara com aquele carrão, ali na porta! Então cheguei a pé, bati à porta, como sempre fazia quando ia de ônibus. Tão logo cheguei, eu já queria sair, claro a ideia era mostrar a super maquina. Até que consegui: “vamos dar uma volta no bairro?” – Aceitou, a irmã veio junto. Viramos a esquina, naquele sol escaldante de inicio de tarde. Andamos 20 metros, desci pra rua e como quem não quisesse nada, fui logo colocando a chave na porta (ou você acha que já existia a abertura de porta com o aperto de um botão?). As duas ficaram paradas – sem entender o que eu estava fazendo! Abri a porta, sentei no lugar do motorista e abri por dentro a porta do passageiro e convidei-as para entrar! Imaginem as caras! Nesta hora nem Porche, nem Papa móvel e nem o mais suntuoso dos cadilacs das estrelas de Hollywood poderiam se comparar ao meu Karman ghia reluzente, fabricado no emblemático ano de 1969l Fomos descendo a ladeira íngreme, com seus paralelepípedos irregulares que faziam tudo tremer, inclusive a minha confiança na maquina, mas deu certo, pois em poucos minutos estávamos chegando à praça do hotel central e aí foi só continuar, atravessar a ponte e cair na rua da faculdade onde antes eu já havia sido professor. Tinha conseguido! Agora era só fazer o caminho de volta e ouvir as impressões da 1ª. vez! Senti, entre outras coisas, que aquilo ainda iria me proporcionar muitas alegrias. Dito e feito. Um dia ainda conto mais. *pegar carona nas estradas – fiz muito!

PessoasMaria
LugaresGuapéFurnasPassosBelo HorizontePimentaFormiga
TemasFamília e CasamentoCidade Velha (saudade)Natureza e Lago
— Soninha
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Texto de: Wenceslau Ávila

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