19 de dezembro de 2016

ÚLTIMOS REGISTROS DE PADARIAS DEPOIS DAS ÁGUAS EM GUAPÉ

ENTÃO, Guapé cresceu, os costumes mudaram, os fornos de barro nas hortas vieram abaixo restando pouquíssimos e aumentaram as padarias para atender a população.As crianças não possuem mais a vontade d

ÚLTIMOS REGISTROS DE PADARIAS DEPOIS DAS ÁGUAS EM GUAPÉ

ENTÃO, Guapé cresceu, os costumes mudaram, os fornos de barro nas hortas vieram abaixo restando pouquíssimos e aumentaram as padarias para atender a população.As crianças não possuem mais a vontade doida de comer forrobodó, chegaram os fornos a gás e depois os elétricos, a situação financeira de todos melhoraram, e tudo que tem nas padarias pode ser comprado, ninguém mais passa vontade.

HOJE temos a Padaria do Davi, a Padaria Miazaky, a Padaria Dias e Lopes, a Padaria da Aparecida-Nivaldo, a Padaria do Zanoni, a padaria do Wilson e nos armazéns maiores também existem padarias.Temos em Guapé também muitas mulheres que vendem deliciosas quitandas, salgados e doces.Estamos bem, obrigada.

AH! Por acaso conversando com nosso ex-prefeito Zé Dalton,ele nem sabia dos causos das padarias e me disse que conheceu uma senhora de 80 anos, muito elegante e bonita e ela contou que morou em Guapé, que tem muita saudade e que teve padaria na Rua 3 de Fevereiro.Não deu outra, era a esposa do Iraci, Zuita. Hoje é dona de uma pousada no estado de São Paulo.Legal,né?

NOSSAS boas lembranças continuam, e agora registradas, contando mais um pouquinho de Nossa História, ter o privilégio de juntar os causos me deixa encantada, muito feliz.Os comentários ajudam muito.Obrigada e abraços aos que me ajudaram e ...

E VIVA O GUAPÉ! E UM SALVE A TODOS QUE FIZERAM ESSA PARTE DA HISTÓRIA! FIU, FIU, TIRIRIU, MACACO NO FIO FAZENDO TIRIRIU. . . ..................................................................................................

PARA QUEM GOSTA DOS DETALHES, É SÓ LER.

Texto de Marcelo Lagoa

SENDO a produção de pães quase artesanal, a Padaria possuía pouco maquinário: Era um cilindro de modelo antigo (sem proteção e que pegava a massa de pão "pela frente", com o risco de sugar junto a mão do padeiro!) e uma máquina de enrolar os toletes de massa, deixando todos os pães com tamanho uniforme. A massa era fermentada em um "coxo" de madeira, antes de ser cilindrada.

DEPOIS de cortada a massa em pequenos toletes, deixava descansando dentro de outro coxo - mais raso - revestido com uma tira longa de pano. Esse pano era dobrado sobre o coxo como se fossem as dobras de uma sanfona, e as carreira de pão eram depositadas ali. As dobras não deixavam uma carreira tocar na outra, grudando. Para enfornar, puxava a tira de pano até esticar as dobras. Então os pães ficavam expostos e eram colocados sobre uma régua de madeira, feita com aquelas tiras de madeira de forro.

ABRIA-SE o forno e levava a régua com cuidado para dentro dele. Então, dava um "galeio" na régua, e o pão caía certinho dentro do forno! Eram assados diretamente sobre o tijolo, não se usavam ainda essas formas de chapa furadinha, e não existiam estufas para crescer a massa do pão. Cortava-se o pão com meia gilette grudada num palito de sorvete, antes de enfornar. Às vezes acontecia do padeiro assar um pão com a gilette dentro! Mas ele percebia, é claro, na hora de riscar o próximo pão. Então quando tirava o pão assado, ele descartava aquele "pão com gilette"...

TIVEMOS um ajudante chamado Narciso, que antes de nos ajudar, ele morou em Guarulhos (SP) e parece que tinha parentes em Guapé.... Foi uma grande coincidência, pois lá em SP ele trabalhou perto da casa do tio Joel, numa padaria. Ele ensinou a gente que algum pão doce ficava melhor quando colocava um pouco de pinga na massa. Então à noite sempre deixávamos a garrafa de pinga junto com ele, pra fazer o tal pão doce... Mas era assim: Um copo na massa, um copo na goela! Mas era uma boa pessoa e um ótimo padeiro. O Narciso já morreu.

O FORNO tinha duas bocas: Uma, obviamente, pra se colocar e tirar o pão, e a outra, na lateral se colocava a lenha. Ficava queimando a noite toda, e depois a gente "afogava" o fogo, fechando a chaminé e a porta da lenha. Sem ar pra queimar, o fogo apagava, conservando apenas as brasas. E de manhã o teto do forno estava branquinho. Era hora de assar o pão. O relógio de temperatura ficava espetado num canudo de ferro, e precisava tirar ele pra fora toda a noite, senão o ponteiro subia, subia, até estourar! De manhã, a temperatura estava nos 300º Graus.

E A MASSA do "pão sovado" tem esse nome porque é uma "massa podre". Deixa-se a massa curtindo dentro do coxo e vai jogando açúcar cristal por cima dela. A massa vai azedando e o açúcar vai virando um melado. Quando está com cheiro de CACHAÇA, então significa que o líquido da massa já virou álcool. Ela começa a borbulhar. Nessa hora o padeiro tira a massa, joga sobre a mesa e começa a malhar. Bate, bate, faz dela como se fosse um "arreio" e bate com ela dando golpes na mesa, como se fosse um chicote!

QUANDO a massa já está "cansada", então cilindra aquela coisa toda até ficar pegajosa. É nessa hora que o padeiro corre o risco de grudar a mão e ser engolido pelo cilindro! Mas os clilindros de hoje são diferentes, pois o padeiro joga a masso POR CIMA dele, e a gravidade puxa pra baixo. A massa passa dentro do cilindro e sai na frente do padeiro, ou seja, ela trabalha em sentido contrário, é diferente dos cilindros antigos.

QUANDO o forno rachava de tanto calor, precisava fazer um "barro com açúcar" e jogava essa meleca em cima do forno. O barro cozinhava com o calor e o açúcar dava plasticidade à massa do barro, ajudando a preservar das rachaduras. Depois jogava areia sobre a massa de barro com açúcar, para "segurar o calor". Pra assar o pão, não havia jatos de vapor dentro do forno, como existem hoje. A gente colocava vasilhas com água dentro do forno, para vaporar, junto com o pão!

QUANDO meu pai e meu tio venderam a padaria, já tinham melhorado um cadinho e tinham comprado a "masseira", que é uma máquina com um garfo bem grande, pra ajudar a misturar a farinha com a água e o fermento. Outro detalhe: Para o pão de sal, quanto mais vagabunda for a farinha, melhor é o resultado! Existiam duas farinhas na época: A de primeira linha FARINHA SOL e a de segunda linha, a farinha comum caseira chamada CLARICE. A Farinha Sol, além de ser mais cara, não prestava pra fazer pão de sal. Mas essa farinha de segunda linha e que também era mais barata, era a farinha que deixava o pão mais leve e gostoso. Digo "leve e gostoso" porque na nossa padaria, por tradição, nunca ninguém conseguiu fazer pão "leve e CROCANTE" - por isso se chamava PADARIA PÃO MUCHO!!!!!

(De certo é dessa que veio o nome da Padaria do Zé Oswaldo da Terezinha do Dunde, o Pão Mucho.)

ZÉ FINI! O ''BÃO DE PROSA'' FICA POR AQUI.BEIJINHO...

PessoasTerezinhaMarcelo LagoaRosaRosaChico
LugaresGuapéRua 3 de FevereiroLagoAparecida
TemasComércio e TrabalhoNatureza e LagoCausos e HistóriasComida e Receitas
— Soninha
Compartilhe esta história: WhatsApp Facebook
← Anterior
ISSO EM GUAPÉ
Próximo →
PADEIROS PAULISTAS EM GUAPÉ

Causos relacionados

Postagem Já Feita Há Mais De Três Anos, Era Uma Homenagem Ao Queridíss...

19 de junho de 2020

A DAMA DE VERMELHO

12 de novembro de 2020

E ASSIM,D. MARIA VAI FELIZ PELA VIDA COM SEU RADINHO

5 de agosto de 2021