Texto:Walquires Tibúrcio.
LAVADEIRA
Nossa casa era em frente ao Bangalô, então residencia do Dr. José Duque do Amaral Filho.Tinha um quintal enorme e lá no fundo corria uma bica dágua que brotava nas cercanias da Rua Nova. Era nessa bica que duas vezes por semana a Sá Maria Diolina lavava as roupas nossas. Preta, muito magra, sempre sorrindo, chegava cedo , fazia uma grande trouxa, punha na cabeça e ia para a bica. Esfregava, fervia, batia na tábua do batedor, estendia, deixava quarando, depois de seca, já à tarde recolhia tudo, nova trouxa na cabeça, hora de ir embora.Passava na cozinha, proseava com minha mãe, assentava num canto com o prato de comida no colo depois de beber, como sempre fazia, aos golinhos, boa dose da branquinha que sempre tinha lá em casa.Bebia um cafezinho e trouxa na cabeça lá ia pra sua moradia, lá perto da rua do Buracão. No outro dia, roupa passada, de novo a trouxa na cabeça vinha entregar o fardo e receber as poucas moedas do seu trabalho. Uma vida assim.Merece uma homenagem: Continuando, aí vai a homenagem: "
LAVADEIRA
Nunca esqueço a esquelética Sá Maria, Foi a mais pontual das lavadeiras; Conseguia passar noites inteiras, Engomando os lençóis da freguesia.
Da sua carunchosa moradia Vinha um ranger eivado de canseiras; Não sei se era um ruido de madeiras, Ou se era o seu corpo que rangia.
Vivendo entre camisas engomadas, Eu lembro suas mãos tão calejadas. E detesto a camisa em que me encerro.
Se me saísse a alma da carcaça, Eu lha daria e lhe diria passa, Passa,Sá Maria essa alma a ferro.






