SOMBRA E ÁGUA FRESCA...
NeRsinho do SAAE! Ele sabe tudo da água que a gente bebe, de onde sai, o caminho que corre até nossas casas, e pela foto, parece, que dia de churrasquinho, sabe também da água que passarinho não bebe e que sobe prazidéia e desce pasperna.
Esse tá com o burro na sombra. É só encher o boRso de nota de cem, comer bem e muito bem, porque tem em casa uma Marleninha que sabe dos temperos de seus aRmoços e jantas e churrascos, e, faz quitanda como ninguém. Não é atoa que NeRsinho tá barrigudinho.
Marlene tem mão boa, mão de fada, e vende quitanda demais, não gosta de depender de ''homi''. Diz ela que ele acha ruim e fala assim:
_Leleninha, querendo uns cobres pra comprá quarqué coisa, pode pegar aqui no meu boRso, viu? _Eu? De jeito nenhum. Tenho o meu. _Uai, mas isso fica até ruim pra mim... _Uai, fica é bão, aí ocê pode juntar o seu, pô debaixo do colchão ô a juro.. _Mas eu quero ter o prazer de te dar uns cobrinhos. É uma questà de honra. Ocê nuunca me ocupa na questã de um dinheirinhoooo... _Neca de pitibiriba! Eu gosto de bater no peito e falar que cô num dependo de homi. _Então, Leninha, ocê vê se não bate no peito perto de amigo meu, não, viu? Fico omilhado. _Ocê tem de ficar é orgulhoso, NeRsinho... _Ah! Eu fico entupido de orgulho, mas ocê sabe, o nóis gosta que as muié depende do nóis nem que sêsse um tiquinho. _Nem ca vaca tussa! Pa dispois jogar na cara, né? Esse gostinho ocê nun vaitê. Já foi esse tempo. _Fala baixo, danada, aRgum amigo meu pode escutar. Ah! Não! Eu não posso nem cRamá que ocê consome meu dinheiro... _Não gosto que me controla, ainda não acostumou com eu assim? _É, Leninha, mas essa garrafa de 51 eu que comprei cu meu dinheiro e pa alegrá o nóis. _Agora memo a turma chega pro churrasquinho. _Vai tê violão... _Ocê vai cismar de cantá? _ Ah! Vou! Mais tarde vou cantá uma moda procê. _Qualé moda? _''Muito prazer em revê-la, você está bonita Muito elegante, mais jovem, tão cheia de vida Eu ainda falo de flores e declamo seu nome'' _Brigado, meu NeRsinho, meu pacotinho de estimação, meu bigodão aparado na lua cheia. _Ah! Paixão! Então nóis fica assim, meu boRsinho cheio e o seu tamém. Mas, precisando, é só enfiar a mão no meu boRso. _Só se for pra encher mais, porque o meu sobra. _Ah! Que desgreta! Humilhêu, não, Leninha. _NeRsinho, NeRsinho! Meu aposentado de estimação. E o tanto kinóis ama?
E assim o casal vai vivendo alegre e acumulando nota de cinco, de dez, de cinquenta, de monte.
Viva a Leninh!a, e o NeRsinho do SAAE!





