31 de julho de 2018

RICORDO D'INFANZIA

Em 2013 fiz essa postagem quando recebi no face essa flor amarela da Belinha do João Coelho com esse recado: "Pega, Soninha! Colora sua vida mais um pouquinho, minha amiga, você que já me deu uma surr

RICORDO D'INFANZIA

"RICORDO D'INFANZIA''

Em 2013 fiz essa postagem quando recebi no face essa flor amarela da Belinha do João Coelho com esse recado:

"Pega, Soninha! Colora sua vida mais um pouquinho, minha amiga, você que já me deu uma surra, mas tá perdoada.''

Respondi:

AMIGA BELA, Belinha, aceito sua flor amarela, receba também as flores que lhe dou e em cada flor um beijo meu, mas você mereceu aquele chute na bunda quando tínhamos dez anos e uma platéia de muitas crianças assistindo você a me empurrar. Partiu com tudo pro meu lado. Encrenquinha!

PE - CA - DO - RA! A gente tinha acabado de coroar Nossa Senhora, era mês de maio, estávamos imitando o que acontecia na igreja, nossa procissãozinha era comprida, com andor, santinha e tudo, a coroação foi na casa da Sandra da Conceição, logo acima de minha casa na esquina, na Rua do Buracão, em frente a casa da Chica.

VOCÊ estava muito valente, e a revolta era só porque não deixei você carregar o andorzinho, eu mandava nele, daí, em vez de rezar, punha língua e mandou avisar que me pegaria depois da reza e foi o que fez, aproveitando de minha fragilidade. Uma roda de meninada foi formada na esquina para assistir seu planejado ataque.

SÓ QUE, um molequinho, o Luiz Carlos do Dute, correu, correu e foi lá na venda da Tereza do Fernando buscar meu salvador, meu irmão Carlinho, esse, quiném um galinho de briga chegou pra minha defesa.

A GALERA ansiosa esperava a surra prometida, você me avançou quiném galinha choca, quando a Maria da Olívia, viúva do Zé do Antoninho, nossa dama de companhia, ( mamãe ficava a semana toda em Araúna lecionando), aí ela me segurou, enquanto você, Belinha, esperneava quiném aquelas que vão no programa do Ratinho querendo briga de DNA.

DE REPENTE você viu meu mano chegando,não esperava,né? Lembro-me como num filme ele chegando com peitinho estufado e imediatamente você, garnizezinha, a "brigona Belinha, baixou a cabecinha" que um dia a terra há de comer, mas que espero, demore muito, muito, muito e foi ali, naquela hora que acabou sua valentia, mas, começou a minha. Rá rá rá rá!

NESSA hora me refiz, acreditando estar protegida vendo meu irmão chegando, aí, euzinha, Soninhazinha, enchi-me de coragem, virei um risco, corri atrás da valentona aí e taquei-lhe um baita, forte e doído chute na bunda. E o mais importante? "Sob vaias!!!" E eu dizendo, "Reaja!" Coitada da garnizezinha! Reagir como?

E ENTÃO, foi assim, que humilhadamente, você, sem dizer uma palavra, cabecinha baixa, rabinho entre as pernas, caçou o rumo de casa. Kkkkkkkkkkkkkk (bis) kkkkkkkkkkkkkkkkkkk. E foi recebida pelo seu vizinho, o Manezinho da Sá Carola. Ficamos de mal, foi "Belém, belém, pra nunca mais ficar de bem.''

TEEEEEEMPOS depois... No quintal de sua casa, você promoveu um quizadinho com as coleguinhas da rua, num fogãozinho de 4 tijolinhos, na sombra do pé de manga espada. E eu? Eeeeu??? So- zi-nha, sem – ta – di - nha na sarjeta escutando o barulhinho da alegria que acontecia por trás do muro. E eu tava triste, tristinha. E foi aí que nossa amiga Edna do Dute, sentida com minha ausência, disse, Soninha, vou pedir a Belinha para deixar você entrar, senão ocê não vai comer nadinha, o quizadinho tá quase pronto. E lá foi a Edna em missão de paz.

VOLTOU falando, ela deixa você entrar, mas ela falou que só se ocê falar o nome dela primeiro, se não falar não vai entrar... Aí eu falei pra Edna falar pra você falar primeiro. A Edna foi, falou, e voltou falando, ela falou que você tem de falar primeiro porque você chutou a bunda dela e ajudou na vaia. Tem de ser beeeem alto ou não vai comer nadica de nada. Fala, bobona! Fala!

Aí...PENSEI...E a Edna então, gritou: "Silêncio! Ela vai falar. Aí, eu, doidinha para entrar, falei berrado, com toda força, Beliiiiiiiiiiiiinnhaaaaaaaaaaaaaaaa!!! Entrei,né? Aí, a Edna, então, sentindo-se importantíssima pelo acordo firmado, conduziu-me até ao recinto, o quintal de minha amada madrinha Maura, a mãe da garnizezinha. Entrei, comi do quizadinho e a paz reinou para sempre, e ela, aprendeu a não judiar de mais ninguém, enquanto lembrar do chute na bunda misturado com vaia.

ENTÃO, amiga, nossas ruas continuam lá, hoje calçadas. Muitas daquelas casas também estão. E sabe quem mais? A Chica, tá lá, na mesma casa, de batom e muita vaidade vivendo a vida a sonhar já que não pode andar.

SILENCIOU a sanfona, o violão e o bandolim do papai. Que ouvido ele tinha! Ah! Lembra da sanfoninha, a pampona do Sô Horácio? Nunca esqueço seu nheco, heco e o jeito que ele pronunciava sanfona, era ''pampona''. Como esquecer do violãozinho de seu pai João Cuêio? Meu Deus do céu! Haja ouvido! Não tocava nada, a não ser o mesmo batidinho e aquela musiquinha inventada por ele, ruinzinha que só vendo, e que nunca passou daquilo, porém, se sentia o Dilermando Reis do pedaço. Que canseira era musiquinha do João Cuêio! Tocou até seus 80 anos e nada de miorá. Só que ele tocava aquilo tão feliz!

NÓS CRIANÇAS daquele tempo também estamos lá, porém, só nas lembranças, na vida real, já numa veiêra danada. Rááá! Que pena! A velhice bem que podia ser mais amena. A Maria Preta não está mais na janela, acabou o tempo dela, da Lica do Pifânio lá no casarão vermelho,enfim,acabou o tempo para tantos daquele tempo!Tudo vira pó. Ô, dó! Ah! A turca Nadime ainda vive, mas não mais na casa da esquina. O tantão de amiga lá da rua do Buracão, rua Araúna e 3 de fevereiro, casou e mudou, a maioria nem lembrança deixou. Nossas mães, nossos pais já viraram anjos e existem pouquíssimos da idade deles preparando vôos.

QUE lembrança alegre tenho do Manezinho da Sá Carola! Lembra? Quando a gente não queria fazer alguma coisa, dizia, ‘’e o Manezinho?’’ Ou, ‘’conhece o Manezinho da Sá Carola?’’ Ou então era, ‘’Mané hoje que eu vou fazer!’’

É, AMIGA...Rio desse causo até hoje e deixo aqui esse relato.E agora? Agora sobrou a SAUDADE de nossa infância, e que bom que sobrou, né? Com essa sobra a gente tem belos momentos. Que saudade do Manezinho da Sá Carola! Tão puro! Tão engraçadinho! Virou anjinho. Voou pro céu. MANÉ HOJE, NÃO! FAZ É TEMPO, MUITO TEMPO.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Design:MarceloLagoa(Amei,Marcelo.)Elenco:BelinhaSoninhaCarlinho/MariaBelinhaSoninha há 3 anos. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

PessoasMariaSoninhaTerezaEdnaEdnaJoão
LugaresRua AraúnaLago
TemasFamília e CasamentoReligião e ProcissõesCrianças e EscolaNatureza e LagoCausos e Histórias
— Soninha
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(Em Algum Lugar Li Os Versos. Em Um Lugar ouvi a Prosa.)

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