HISTÓRIA MOLHADA
CADA CONVERSA SOBRE AS ÁGUAS É UMA HISTÓRIA E ESSA VIROU O TEXTO DA FAMÍLIA DO NERY VINHAS
E lá naquele hotel da praça vivia feliz essa família no dia a dia calmo da cidadezinha que seria molhada de susto, molhada de dor.Nem o Nery,um jovem inteligente preparou-se para virar tantas páginas de um história assim, tão de repente, ou não quis acreditar que subiria o morro com os pés molhados para uma nova morada.
E CHEGOU O PRIMEIRO FOLHETO DE FURNAS
E era o aviso que ninguém queria ler: ’’EM DEZEMBRO OU JANEIRO A CIDADE SERÁ INUNDADA PELAS ÁGUAS DE FURNAS.PREPAREM-SE!'' Resumindo era isso, cada família que procurasse seu rumo, mesmo sem ter rumo. E as casas?Nem estavam prontas.E a igreja?Também,não.Nada pronto,muito menos os corações.
E CUMPRIU-SE O PROMETIDO
Em 09 de janeiro de 1963 fecharam-se as Comportas da Barragem e dali a 11 dias, 20 de janeiro, as águas foram inundando, no começo um metro por dia, depois um metro e meio e até dois.E assim cumpriu-se a primeira etapa,eu não sabia,mas eram duas enchentes. E as águas subiram até onde era o correio,de janeiro até dezembro de 1963.
A ÁGUA NÃO CHEGOU COMO UMA ENCHENTE DEPOIS DE TEMPESTADE
Tempestade acontecia na alma do guapeense, mas as águas iam cobrindo, cobrindo,cobrindo, e as pessoas, vendo e morrendo de dor.As famílias foram saindo e deixando tudo deserto. E o centro?A praça? Silêncio.O Pe.João só subiu o morro em maio quando sua casa ficou pronta e aí a família do Nery mudou-se para a Casa Paroquial, embora hóspedes continuassem no hotel, a comida era na Casa do padre, lá cozinhavam e esperavam o término da construção da casa onde hoje moram .
O QUE SOBROU DE FAMÍLIAS NA PRAÇA?
Sobrou na praça o Hotel do Magro,sobrou a Casa Paroquial,sobrou a Loja do Orlando Amaral,sobrou a casa do Dr. Fonseca, sobrou o Armazém do Dari, e certamente, uma medrosa, triste e sombria solidão entre escombros de casas desmanchadas pela metade e na correria.
A SEGUNDA ETAPA DAS ÁGUAS
Aí, sim, foi fatal e tudo mais. Caminhões chegavam de toda a redondeza para levar as famílias pra outras cidades e o Nery lembra com tristeza do trator arrancando as palmeiras que enfeitavam a pracinha, seriam replantadas na praça nova.Seu pai, o Magro morreu em 57,seis anos antes.A família não queria mais hotel.Foram indenizados e contruíram a nova morada e o dinheirinho que sobrou pagaram a metade de um apartamento em Belo Horizonte e financiaram a outra metade.
E O NOVO HOTEL DE GUAPÉ
Quando o Sô Mário Tibúrcio soube que a família Vinhas não queria mais hotel, ele então, decidiu e começou seu projeto,a construção de seu ‘’GRANDE HOTEL’’ e isso teve início em 1962. Uma construção demorada,bem grande e ficou uma bonita obra,imponente e de destaque na praça.
A MUDANÇA DE DR.FONSECA
O Nery lembrou dessa página triste, a família do advogado e chefe político decidiu morar em Belo Horizonte, uma das últimas famílias a deixar a cidade e além de todas as tristezas do ano,o caminhão do Lazinho Martins pegou fogo e perderam tudo.
E SÃO TANTAS AS HISTÓRIAS NA HISTÓRIA DE GUAPÉ!
Vidas radicalmente mudadas.E olhando esses móveis,esse banco, essas cadeiras,imagino quantas visitas por aqui contaram causos lá na cidade velha e depois causos da cidade velha aqui na cidade nova.E o alpendre da praça sempre foi ponto de encontro dos que ficaram e dos que voltavam a passeio.
E um salve para a família do Nery Vinhas!
MEU RECADO Guapeense, escrevi esse texto sobre a família do Nery e pretendo continuar escrevendo outros para que a gente compeenda o que foi essa nossa HISTÓRIA MOLHADA.soninha









