De:MarceloLagoa
Na roça ainda é o mió lugá... Lá não há watsapp nem facebook. Mas tem vizinho depois do riacho, Pra módi a gente conversá. Não preciso bater ponto lá no trabaio. Aí não ponho alarme no celulá. Preciso cuidar da roça, dos porco e do gado. Então tenho um galo pra me despertá. Lá a boa notícia num chega, que é longe, Mas as ruins também demóra a chegá. Lá não preciso me preocupá Quala a rôpa que devo usá. De butina, descarço ou chinelo, Não me importo do pé lambuzá. Se adoecer, posso morrer sem socorro, Se na cidade eu demoro chegá. Causo aconteça, me enterrem ao pé do imbuzeiro, Pra de noite eu poder lhe assombrá. Só não me enterre na moita de bananeira, Pro causo docê querê ir lá pra ............. Mas aqui vivo muito mais que o urbano, Sem coronavírus pra me atormentá...




