6 de março de 2014

DE WENCESLAU ÁVILA

Ao abrir meu email, nesta terça feira de Carnaval, paro na primeira mensagem – a Irina me escreveu. Desta vez foi a Irina, como poderia ter sido a Natasha ou mesmo a Fiona. Meu perfil está em inglês e

DE WENCESLAU ÁVILA

Ao abrir meu email, nesta terça feira de Carnaval, paro na primeira mensagem – a Irina me escreveu. Desta vez foi a Irina, como poderia ter sido a Natasha ou mesmo a Fiona. Meu perfil está em inglês e francês, então quem me acha, “acha tudo” menos que eu possa ser e estar nesse interiorzão do Brasil. Habitualmente, quando vejo este tipo de mensagem , passo adiante, sei que em 90% dos casos é vírus! Hoje não, comecei a ler e comecei a gostar: “Shared joy is a double joy, shared sorrow is half a sorrow” – romântica Irina - lindo! Uma alegria dividida é um felicidade em dobro, uma dor dividida é uma dor pela metade” mais ou menos isso. Mas quem é Irina? No email, a extensão do país é “pl” portanto Polônia. Isto ainda não explica quem é Irina, nem o que ela faz, nem como ela vive, nem o que ela espera das pessoas para quem ela escreve, nem da vida ou mesmo do mundo. E se eu parasse para pensar em tudo isso? Talvez ela possa estar em algum bairro isolado de Varsóvia, ou talvez num amplo apartamento naqueles prédios, testemunhos vivos (as pedras tem vida, sabia?), de tantas histórias no coração de Cracóvia! Polônia lembra “polaca”! Nunca ouviu falar? Se você perguntar a algum de seus velhos, avós, bisavós que sentido para eles tem este termo “polaca” com certeza muitos deles, por mais que esteja absorto em seus pensamentos ou incomodado com as câimbras, as dores na coluna ou até mesmo a memória lenta, ele vai ter um sobressalto e com um sorriso maroto, acordar de sua vigília e lhe explicar, com uma certa empolgação, (de há muito adormecida), que “polacas” eram as “moças” lindas, loiras, altas, magras, de olhos azuis, cabelos longos e lisos e que costumavam chegar apenas até a capital, Rio de Janeiro, no tempo do Império, da Republica e até mesmo há algumas décadas. Se não elas, suas sucessoras ou algumas que não conseguiram voltar para seu país de origem (portanto Polônia, Romênia, Ucrânia, tudo que é leste europeu), com as crises do café ou mesmo das bolsas (1929), continuaram por aqui, vivendo da fama de suas antecessoras. Polacas, a beleza ariana, no país da mulata! No consciente coletivo dos homens brasileiros, pelo menos daqueles que continuaram portando ternos aos domingos e que sempre se recusaram a vestir uma camisa de manga curta, a beleza, principalmente feminina, se reveste de outros padrões. Não é para chocar, mas se você me disser que existe uma distância maior entre as modelos nas imagens a seguir, do que entre um Chimpazé e um Pigmeu (ainda que o segundo seja humano) eu não terei como discordar de você! Volto para o meu “não” carnaval, de onde nem deveria ter saído

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— Soninha
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