COM MUITO CARINHO PUBLICO O TEXTO DE MARCELO FALANDO DE SUA SAUDADE DE GUAPÉ. "AI!!! QUE SAUDADE ME DÁ !!!" Lembrar de Guapé é lembrar de cenas e personagens pitorescas, e sentir muita saudade daquele tempo. É um desafio muito grande expressar todas lembranças de uma época em poucas 50 linhas... Então não falarei tanto dos pontos turísticos, ou das praças, dos clubes ou das escolas, senão não me sobrariam linhas para escrever. Essa tarefa vou deixar para os historiadores. Mas todavia, me lembrarei de algumas cenas e de alguns personagens que de alguma forma assinaram a história de Guapé com seu jeito de ser, gravando sua presença na lembrança e no coração de todos nós... E ainda que tenham ido embora, para o além, não podem jamais morrer nas nossas lembranças. “Pela Santa e Amada Igreja, querem se casar...” Quem não se lembra de tão conhecida frase dita pelo Pe.João, anunciando o matrimônio desde o alto da torre aos quatro ventos? Ou da advertência ao “ZÉ DA HORA” que já passava quase da hora o repicar dos sinos? A pregação dominical e os anúncios de nascimento e morte, que cobriam toda a cidade através dos auto-falantes? Quem não se lembra dos carros de boi, com seus condutores tangendo pacientemente através da avenida carregados com fardos de arroz e milho, no lamento monótono do cocão a ressoar pelas ruas de paralelepípedos, blocos sextavados ou terra batida? E alguém por acaso já se esqueceu da rixa entre o grupo do Congo e o grupo do Moçambique? O DITINHO que assumiu sua orientação sexual antes mesmo que alguma lei punisse qualquer tipo de discriminação, era um ponto-chave e presença obrigatória nessas congadas. Quem ainda se lembra do alvorecer com o burburinho dos caminhões-leiteiros e bóias-frias na agitada, porém divertida labuta de ganhar o pão de cada dia nas panhas de café? Quem não se lembra das personagens folclóricas de nossa cidade, tais como a ISABELLA DOIDA, o JOÃO MARQUES MUDINHO e também o BENEDITO mais o JOAQUIM, os irmãos anõezinho mudos, moradores da Vila Vicentina, antigamente chamávamos de Conferência, e também do CHICO-CEGO – o MINHA GATA – o bom velhinho, que perambulando pelas ruas com sua bengala, cantava pra gente nas portas do comércio local? E sempre imitava um gato! Era só a molecada correr em volta dele e gritar: “Minha gata! Minha gata!” e o bom velhinho em alto e bom som começava a miar, alegrando a criançada. Existia também a PINTADA que morava na Vila dos Sapos. Na avenida Brasil a gente sempre topava com o PATURÍ, o URIAS, O ZÉ ROQUE e o TIÃO CIRINO. A SÁ ANA e a filha, apelidada de GATA DA BOLÉIA por muitos anos tiveram de lidar com a peste da criançada que voltavam encapetados do Grupo Escolar pela Rua Boa Esperança, a gritar pelo nome delas! O “Hein-hein”, acho que seu nome era Domingos, descia lá do Campo da Aviação todos os dias até a mercearia do Fernandinho... diziam que ficou mudo após se engasgar com um caroço de manga... Todos eles povoaram a mente infantil e coloriram nossas ruas, alguns eram citados em tons de ameaça quando mamãe flagrava a gente nalguma travessura, outros simplesmente traziam um sorriso inocente na cara da criançada. Quem não se lembra dessas coisas? Do entardecer melancólico visto no final da Rua 3 de Fevereiro, com o Sol indo embora logo depois da serra, no outro lado da represa... Da “Fábrica” da Cacisa dando seu último apito, pra depois, em seguida despejar o soro do leite na represa, onde tem o pranchão e a seva de peixes do Hotel Interlagos!! Nessas horas o “PÃO-DE-SAL” fechava o portão do Cemitério enquanto a Igreja entoava a Ave Maria. Aos domingos, era a criançada descendo pra Figueira, lugar bom de aprender nadar e mergulhar. Tinha de pedir permissão ao “ZÉ BUCK”, proprietário daquelas terras... Mas ninguém se lembrava desse protocolo! Enquanto isso, as charretes e os jipes traziam a mulherada dos sítios pra missa dominical. Cachorro nenhum entrava na Igreja, embora o SAUL jurava de pés juntos que uma vez o Pe.João chutou um e por causa disso tinha perdido os pés. O Pé-de-Pato, nosso eterno Delegado, nunca pediu ao CIDINHO, tradicional carcereiro da cidade e pai do rapaz, que o prendesse por causa dessas estórias, apesar do Padre não concordar com a imitação que SAUL fazia dele, nas pregações das missas... Quem que não jogou bola no Campo Sete, lá da Cidade Nova? Quem não caçou passarinho no Bosque? O Bosque ficou muito mais triste desde o dia que encontraram o seu LÚ – responsável pela Quadra, mortinho da silva aos pés de um pinheiro... Foi enfarte fulminante! A estradinha do “ZÉ DO DOSA” levava a gente até a Balsa... Atravessar a represa de balsa até a Araúna era trajeto obrigatório pra quem queria passar um fim de semana interessante. E por falar em trajeto obrigatório, quem ainda não foi pro Paredão? Fica a meio-caminho entre Guapé e Jacutinga ,sim, Jacutinga, embora os jacutinenses nunca irão concordar com esse gentílico. - e nem com o nome de Jacutinga!! Vai saber! Por falar em jacutinga, as festas lá pra essas bandas movimentavam o clima da nossa cidade. Muita gente fazia o trajeto a pé, pagando promessas... ou tentando expiar os pecados... Mas pra alguém mais preguiçoso, o caminho até São Judas em outras datas festivas já era de bom tamanho!! Eu poderia dizer muito mais do tempo em que vivi no Guapé, porém o espaço aqui é muito curto. Então dei prioridade a algumas lembranças pitorescas, que só Guapé pode ter, características que pra mim fez de Guapé a minha “Cidade Única”. Marcelo Lagoa de Almeida
21 de agosto de 2013
COM MUITO CARINHO PUBLICO O TEXTO DE MARCELO FALANDO DE SUA SAUDADE DE GUAPÉ
"AI!!! QUE SAUDADE ME DÁ !!!" Lembrar de Guapé é lembrar de cenas e personagens pitorescas, e sentir muita saudade daquele tempo. É um desafio muito grande expressar todas lembranças de uma época em p

— Soninha



