15 de junho de 2024

BELO RETRATO DE PAREDE

Em um lugar do passado... Um moço...Uma moça...Uma noite feliz... Ela cantando ou admirando... Cena no antigo Clube Dos Setenta! ACHEI a cena o máximo. Foi no ano de 1962. Foi ainda lá na Cidade Velha

BELO RETRATO DE PAREDE

BELO RETRATO DE PAREDE

Em um lugar do passado... Um moço...Uma moça...Uma noite feliz... Ela cantando ou admirando... Cena no antigo Clube Dos Setenta!

ACHEI a cena o máximo. Foi no ano de 1962. Foi ainda lá na Cidade Velha no Clube dos 70. Esse galã marcou época em Guapé, é Márcio Arantes... Olhos verdes, boa praça, brincalhão, boêmio comportado... O filho de Agostinha Arantes irmã da mãe de D.Esmeralda... Mora em Belo Horizonte, cuidou da mãe que viveu mais de 100 anos. Ele viveu em Guapé antes da inundação.

A MOÇA ao lado do pianista é Salomé Passos... Foi a dançarina mais famosa dos bailes de Guapé... Os bailes do Clube dos 70... Filha de Otávio da Duca, bonita, irmã da Salete. Eu sempre ouvi seu nome nos causos do Clélio do Gastão que era um saudosista, dançavam muito juntos. Ele dizia, ''Não esqueço da Salomé, linda,elegante, com seu maravilhoso vestido de tule, rodopiando pelo salão.'' Ouvi muitas e muitas vezes sobre o seu vestido de tule.

O COMENTÁRIO era que Salomé dançava como uma pluma rodopiando pelo salão, e que Márcio causava inveja nos moços porque também rodopiava elegante, deslizando pelo salão.

O CHICO Garcia que também gostava de se exibir dançando, falou do aperto que passou dançando com a moça Salomé num baile... ‘’As vezes eu criava coragem e tirava ela dançar. Certa vez estávamos dançando e era samba e o que aprendi em Guapé, era que o samba podia ser liso ou puladinho. Puladinho era difícil demais para dançar. Não é que ela puxou um puladinho? E eu pra não fazer feio, pulei feito um cabritinho e miudinho.Não sei como consegui acompanhar. Depois, meus colegas e amigos queriam saber como eu consegui dançar daquele jeito... Eu dizia: Perguntem para a Salomé porque eu não sei. Tenho saudades dela também.’’

ESSA foi a época em que a juventude chegou aos píncaros, Guapé recebia muitos trabalhadores de Furnas. A cidade era muito movimentada. Imagino até que estariam no piano cantando ''Siboney'' de Connie Francis ou ''Perfídia'', só imagino, eram músicas de sucesso dessa época.

ESSE piano foi por muito tocado, a cidade foi coberta pelas águas, o ‘’Clube dos 70’’ que recebeu esse nome porque tinha no início 70 sócios, ficou submerso, mas o piano subiu para a Cidade Nova e a lembrança que tenho dele foi de quando o Clube funcionava numa parte da prefeitura, ficava num corredorzinho entre a sala de entrada e o salão de dança.

SOUBE que o piano foi vendido para o Jair da fábrica lá em Campo Belo. Caso alguém saiba de seu paradeiro, escreva aí. Que pena! Ele era do Clube dos 70.A cidade tinha que resgatá-lo.

MÁRCIO ARANTES enquanto viveu sua juventude em Guapé fez muitos amigos, morou numa república, seu ponto era o Restaurante Caiçara.

AH!Era seresteiro, tocava flauta e clarinete,todos da época lembram dele tocando ‘’Petite Fleur’’, eu soube que achava linda a Amália filha do João Cavalhada e que também era um grande clarinetista.Ele foi o moço que mais marcou a época de Furnas e um tempo mais.Conquistou a cidade.Amou e noivou com a filha do Toin do Gute.

O CIRO do Solú comentou e acrescento: ''Na época da inundação de Guapé por Furnas, o Marcio estava noivo da Cleide Passos, filha do Antônio do Gute, e, na DIÁSPORA dos guapeenses ela mudou-se para Ribeirão Preto e ele para BH. Lembro-me dele ter aparecido no nosso Hotel Vera Cruz, junto com Gutinho de Ide e Aécio do Dr Fonseca, com aliança no dedo, mas dizendo que tinha terminado o noivado.''

É, muitas HISTÓRIAS DE AMOR mudaram de rumo com a chegada das águas, enfim, muitas histórias de vida.

LEMBRO-ME dele aqui na Cidade Nova, há mais de 30 anos, no casamento da Ivana, foi até nossa casa visitar papai que tocou sanfona pra ele, e para cada música descia um copinho de uma cachacinha curtida com laranja e açucar, coisas de mamãe, parecia um licorzinho, descia suave, descia suave, e assim nessa suavidade o Márcio passou a tarde toda ouvindo, cantando, proseando, mas quando chegou a hora do casamento, pergunta se deu conta de ir? Nem pensar. Suavemente aterrizou. O aperitivo descia suave,mas depois de um tempo subia doido pazidéia e depois descia pras pernas. O padrinho do casório não compareceu.

NO outro dia antes de viajar passou em nossa casa para puxar a orelha de meu pai, mas querendo a receita do licor. Foi a última vez que Márcio visitou Guapé. Vive seu entardecer em Belo Horizonte e certamente inundado de lembranças boas.

AMEI esse retrato, ela registra um pouquinho da história dos bailes quando eram grandes acontecimentos.

Um salve para o galã Márcio Arantes! Um salve para a bela Salomé Passos! E salve o Clube dos 70 de tantos sonhos e histórias de amor!

(Agradeço Salete Passos pelo retrato.)

PessoasJairEsmeraldaJairChicoJoãoToin
LugaresGuapéCidade VelhaCidade NovaClube dos 70FurnasPassosBelo HorizonteRibeirão Preto
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— Soninha
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