20 de setembro de 2013

AI !!! QUE SAUDADE ME DÁ

Leila Maia COMO ERAM ESPERADAS AS VIAGENS DE GUAPÉ A APARECIDA DO NORTE! Todo ano uma grande quantidade de guapeenses fazia a romaria.Os choferes eram o Lazinho Martins, Tietié, Zé Big, Lazinho Ávila,

AI !!! QUE SAUDADE ME DÁ

"AI !!! QUE SAUDADE ME DÁ !!!" Leila Maia COMO ERAM ESPERADAS AS VIAGENS DE GUAPÉ A APARECIDA DO NORTE! Todo ano uma grande quantidade de guapeenses fazia a romaria.Os choferes eram o Lazinho Martins, Tietié, Zé Big, Lazinho Ávila, outros e meu pai Zico da Lica.Eles preparavam seus caminhões com muito cuidado.Eram os FENEMÊ, os chevrolet da cara chata e os Fordinhos. Colocavam neles bancadas de madeira, uma atrás da outra, igual galinha no poleiro. A lona ia por cima. Não tinha encosto, a gente firmava o corpo no outro que estava perto. Como íamos muito apertados, não havia perigo de ninguém sair do lugar, mesmo dormindo e até roncando. E como meu pai era o chofer a gente empoleirava todo ano. Cada viagem ia de 4 a 5 caminhões todos juntos, um atrás do outro para não perder. Saía daqui todo mundo cantando e chegava lá cantando e gritando de tanta alegria. As músicas eram sempre as mesmas.Uma era:"Graças vos damos Senhora,virgem por Deus escolhida, salve a mãe do redentoooor,oh! Senhora Apareciiiida..." O comboio saía de Guapé às10 hs da manhã e chegava, lá pela 1 hora da madrugada pala distância de 350 kms, estrada só de terra motivo pelo qual a gente chegava lá vermelhinos de poeira. As matulas eram preparadas de véspera: farofa de frango, tutu de feijão, , broa, bolo de fubá, biscoito, pão de queijo com carne de porco e mais. Acompanhava uma garrafa de café, limonada nas garrafas de vidro. Esta merenda tinha que dar para a ida e volta. Na volta, alguma coisa dava de querer perder e aí a gente sentia um cheirinho de passado, o qual era misturado com o cheiro de gazolina do caminhão e às vezes com um cheirinho desagradável de uma idosa que nos acompanhava e que tinha bexiga caída. Mas a gente nem importava, nem ligava com o cheiro, porque a alegria da viagem era grande demais. Pra ir passava em muitas cidades como Cambuquira, Caxambu e outras, mas eu achava CHIQUE era passar em PASSA QUATRO, uma cidade construída de baixo da Serra da Mantiqueira. Nesta serra tinha um lugar que descia uma fonte de água natural.Todos desciam dos caminhões, com as canecas esmaltadas e iam beber da água. Esste momento era muito esperado! A gente molhava todo, os pés, a roupa e assim... Seguia a viagem. Quando faltava uns 2 quilômetros para chegar, já avistava a ponta da torre da Igreja de Nossa Senhora e aí os caminhões paravam prá gente ajeitar a roupa no corpo, pentear os cabelos, escovar os dentes com os dedos. Um acontecimento que não me sai da lembrança foi a viagem em que a Luzia, filha do Quinzote, muito fervorosa, desceu do caminhão, ajoelhou na beira da estrada, pôs as mãos no peito e disse:"Agora eu posso morrer! Eu vi Nossa Senhora!" E ela só tinha visto a pontinha da torre. Quando chegávamos na tão sonhada cidade de Aparecida do Norte, nossas pernas amoleciam, nossos olhos brilhavam e nossos corações pulavam forte de tanta emoção.Víamos o milagroso rio Paraíba, as casas, as ruas, os hotéis e por fim o hotel que íamos ficar.Hotel para nós era uma coisa do outro mundo. Eu ficava tão feliz que nem conseguia dormir. Os "óios" ficavam arregalados de medo de perder qualquer coisa. De manhã cedinho levantávamos e íamos para a missa. Depois a gente ia fazer compras. Comprava terço, óculos, pentes dos dentes grandes e dos "dentes pequenos para tirar lêndeas e piolhos", pois tinha muito na época. Comprava também corte de pano para fazer vestido, dente frício, bebelô de cachorrinho, galinho e mais. Numa das viagens meu pai comprou um Acordeon vermelho e ficamos tocando no hotel. Toda vez que íamos, tinha de ver a marca da ferradura do cavalo que não entrou na Igreja e também a sombrinha que está agarrada no teto, porque a moça entrou com ela na igreja. A noite voltávamos felizes e abençoados para nossa cidadezinha de Guapé, sabendo que no outro ano teríamos outra vez,aquela felicidade enorme de visitar a Aparecida do Norte.

PessoasMariaLuziaRosaLeilaRosa
LugaresGuapéAparecida
TemasFamília e CasamentoReligião e ProcissõesComida e Receitas
— Soninha
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